A computação quântica não é mais um tema de longo prazo. Ela já influencia decisões no presente e redefine os padrões de segurança digital
Por Fabiano Nagamatsu

Até poucos anos atrás, o debate sobre computação quântica girava em torno de quando essa tecnologia se tornaria viável. Agora, a discussão mudou. O foco está em como se proteger.
Isso acontece porque avanços recentes aceleraram o desenvolvimento de sistemas quânticos, reduzindo o tempo estimado para que eles consigam comprometer a criptografia atual, base de praticamente toda a segurança digital moderna.
Hoje, grande parte da internet depende de algoritmos como RSA e ECC para proteger dados, transações financeiras e comunicações.
Esses métodos são considerados seguros porque computadores tradicionais não conseguem resolver certos cálculos em tempo viável. No entanto, a computação quântica altera esse cenário de forma radical.
Segundo o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST), um computador quântico suficientemente avançado poderá quebrar esses sistemas usando o algoritmo de Shor, tornando vulneráveis redes inteiras de comunicação e armazenamento de dados.
O risco não é apenas teórico. Um relatório recente da consultoria McKinsey aponta que a computação quântica pode gerar impacto econômico de até US$ 1,3 trilhão até 2035, impulsionando setores como farmacêutico, financeiro e logístico, mas também criando novas superfícies de risco cibernético. Ao mesmo tempo, a IBM e o Google já demonstraram avanços significativos no número de qubits e na estabilidade de seus sistemas, aproximando o mercado de aplicações práticas.
Além disso, especialistas alertam para um problema imediato conhecido como “harvest now, decrypt later”. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, agentes mal-intencionados já podem coletar dados criptografados hoje com a intenção de descriptografá-los no futuro, quando a tecnologia quântica estiver madura. Isso significa que informações sensíveis armazenadas agora já estão potencialmente comprometidas, mesmo que a quebra efetiva da criptografia ainda não seja possível.
Outro dado relevante vem do Gartner, que estima que até 2027 cerca de 20% das organizações globais terão implementado estratégias formais de criptografia pós-quântica. Esse movimento reforça a percepção de que o risco deixou de ser hipotético e passou a exigir ação imediata. Nesse contexto, 2026 surge como um ponto crítico para que empresas iniciem a transição e evitem vulnerabilidades futuras.
A corrida global pela criptografia pós-quântica
Diante desse cenário, governos e empresas já começaram a se movimentar. O NIST lidera um processo global de padronização de algoritmos resistentes a ataques quânticos e já selecionou os primeiros modelos considerados seguros para uso futuro. Esses novos padrões buscam substituir os sistemas atuais antes que eles se tornem obsoletos.
Ao mesmo tempo, grandes organizações adotam abordagens híbridas, combinando criptografia tradicional com soluções pós-quânticas. Essa estratégia permite uma transição gradual, reduzindo riscos enquanto a tecnologia evolui. Segundo a Deloitte, mais de 50% das empresas globais ainda não possuem um plano estruturado para lidar com a computação quântica, o que aumenta a exposição ao risco nos próximos anos.
Essa lacuna revela um ponto crítico. A maioria das organizações ainda subestima a velocidade dessa transformação. Enquanto algumas avançam na adaptação, outras permanecem inertes, criando um desequilíbrio competitivo. Empresas que se antecipam tendem a proteger melhor seus dados e operações, enquanto aquelas que atrasam a transição podem enfrentar impactos significativos.
Desse modo, a computação quântica não é mais um tema de longo prazo. Ela já influencia decisões no presente e redefine os padrões de segurança digital. Em um mundo onde dados são ativos estratégicos, ignorar essa transformação significa assumir um risco crescente. Quem age agora protege não apenas informações, mas o próprio futuro do negócio.
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