VP da Diebold Nixdorf LATAM, Elias, explica como IA, dados e automação estão transformando bancos, varejo e a experiência do consumidor
Em um cenário em que a digitalização avança rapidamente em diversos setores, a Diebold Nixdorf mantém crescimento consistente e reforça sua atuação como parceira estratégica de instituições financeiras e varejistas. Em 2025, a companhia registrou receita global de US$ 3,8 bilhões, com avanço no lucro operacional e expansão das soluções de automação bancária e de varejo.
Ao mesmo tempo, ambos os setores vivem uma transformação importante. No financeiro, mesmo com mais de 90% das transações ocorrendo no digital, as agências físicas ganham uma nova função, mais consultiva, relacional e integrada, o que exige novas tecnologias embarcadas para a recepção dos clientes.

No varejo, as interações com consumidores vêm sendo cada vez mais feitas por meio de terminais de self-checkout e Inteligência Artificial.
Para entender esse momento, conversamos com Elias Rogério da Silva, Vice-Presidente da Diebold Nixdorf para a América Latina.
Leia entrevista na íntegra!
Crypto ID: A Diebold Nixdorf encerrou 2025 com resultados positivos e crescimento em diferentes frentes. Quais foram os principais pilares que sustentaram esse desempenho da companhia?
Elias Rogério da Silva: A Diebold Nixdorf teve resultados positivos durante o ano apoiada em três pilares: execução consistente, proximidade com o cliente e evolução do portfólio de soluções e serviços.
Em execução, entregamos projetos complexos com previsibilidade, mantendo altos níveis de disponibilidade das operações dos clientes e garantindo eficiência na prestação de serviços. Em setores como financeiro e varejo, nos quais qualquer indisponibilidade impacta diretamente receita e experiência, essa disciplina operacional faz toda a diferença.
A proximidade com o cliente também evoluiu de forma relevante durante o ano, o que nos trouxe novas oportunidades de negócios. Estamos cada vez mais assumindo um papel mais consultivo para os clientes, entendendo as prioridades de negócio e ajudando a direcionar decisões de tecnologia que realmente impactam seus resultados. Isso nos permite desenvolver soluções que funcionam bem tecnicamente e geram impacto direto em eficiência e crescimento.
E a evolução do portfólio também foi um fator determinante. Avançamos em um modelo mais integrado, em que hardware (como terminal de self-checkout e caixas eletrônicos), software, dados e serviços são fornecidos com um projeto completo aos clientes. Isso ajuda a trazer mais previsibilidade de receita e nos posiciona de forma mais estratégica dentro dos nossos clientes.
Crypto ID: O segmento financeiro segue como um dos motores da empresa. Como a evolução das soluções de automação bancária tem impulsionado os resultados globalmente?
Elias Rogério da Silva: Nossas soluções de automação bancária evoluíram muito nos últimos anos e isso tem um impacto direto nos resultados da Diebold Nixdorf. Hoje, não estamos falando apenas de equipamentos ou automação pontual, mas de soluções completas que conectam canais, dados e operação.
Nesse mercado, antes o foco estava muito em eficiência operacional isolada, envolvendo automatizar processos, reduzir filas e diminuir custos. Agora, o foco é orquestração de jornadas completas, o que também gera essa eficiência operacional, além de uma melhor experiência para o consumidor. O cliente inicia uma interação no digital, pode continuar em um caixa eletrônico e, se necessário, migrar para um atendimento assistido, tudo de forma integrada. Essa continuidade é o que redefine a experiência bancária.
Globalmente, vemos um movimento muito forte de continuidade de modernização da infraestrutura bancária, com crescimento na demanda por software, analytics e serviços gerenciados, além de hardware. Pensando nisso, temos lançamentos consistentes e constantes de soluções e serviços, além de atualizarmos sempre nossas tecnologias para manter os clientes alinhados às novas demandas de seus negócios e às mudanças regulatórias.
Crypto ID: A companhia tem ampliado investimentos em inovação, dados e Inteligência Artificial. Quais dessas frentes vêm gerando maior impacto na transformação dos clientes?
Elias Rogério da Silva: Mais do que olhar essas frentes de forma isolada, o maior impacto vem da forma como a Diebold Nixdorf integra inovação, dados e Inteligência Artificial para transformar a operação dos clientes em tempo real. Dados são a base de tudo. É a partir deles que permitimos que o cliente entenda o que acontece em sua operação. A Inteligência Artificial entra como o motor que interpreta esses dados e direciona decisões, muitas vezes de forma automática. E a inovação está em como traduzimos isso em soluções aplicáveis, que funcionam no dia a dia do cliente.
Na prática, o impacto aparece quando possibilitamos que o cliente saia do modelo reativo para um modelo preditivo e orientado à ação. Esse modelo permite que antecipem falhas em equipamentos e otimizem a gestão de numerário, por exemplo, nas instituições financeiras, fornecendo mais disponibilidade, eficiência operacional e uma experiência mais consistente para o cliente final. No varejo, permite que previnam perdas no self-checkout e melhorem a precisão das operações, fornecendo uma jornada mais fluida e segura, com menos fricção no checkout e maior controle. É isso que, na prática, está acelerando a transformação dos nossos clientes.
Crypto ID: O Brasil se consolidou como a segunda maior operação da Diebold Nixdorf no mundo. Qual é o papel estratégico do país para os próximos anos?
Elias Rogério da Silva: O Brasil tem um papel absolutamente central na estratégia da Diebold Nixdorf, não somente pelo tamanho da operação, mas pela combinação única de sofisticação de mercado, escala e capacidade de inovação. É um dos ambientes mais avançados do mundo em serviços financeiros e meios de pagamento, além de contar com um varejo muito dinâmico e competitivo. Isso transforma o país em um laboratório de inovação, onde conseguimos desenvolver, testar e escalar soluções em um contexto real e complexo, muitas vezes antecipando tendências que depois levamos para outros mercados.
Ao mesmo tempo, o Brasil também exerce um papel relevante como polo produtivo e logístico para a América Latina. A fábrica de Manaus, por exemplo, permite a produção local de equipamentos e a exportação para toda a região, reduzindo prazos de entrega em até 20% e garantindo mais agilidade e confiabilidade na implementação de soluções.
Além disso, há um componente importante de transferência de conhecimento. A experiência que construímos no Brasil, lidando com um mercado exigente, com alta complexidade operacional e rápida adoção tecnológica, está sendo aplicada em toda a América Latina. Na minha atuação regional, o objetivo é justamente levar esses aprendizados para outros países, adaptando soluções às realidades locais, mas mantendo o mesmo nível de inovação e eficiência.
Por isso, mais do que um mercado estratégico, o Brasil é um centro de desenvolvimento e disseminação de soluções dentro da Diebold Nixdorf, com impacto direto na forma como apoiamos nossos clientes em toda a região, e continuará sendo pelos próximos anos.
Crypto ID: A Diebold Nixdorf também tem participado de iniciativas ligadas ao futuro dos meios de pagamento, como o euro digital. Como essas transformações devem impactar bancos e consumidores?
Elias Rogério da Silva: Participar de iniciativas como o euro digital permite à Diebold Nixdorf atuar na vanguarda da transformação dos meios de pagamento, antecipando tendências e desenvolvendo soluções que combinam inovação e segurança. Para os bancos, essas transformações promovem maior eficiência operacional e abrem novas oportunidades para serviços e produtos financeiros, permitindo que adotem a digitalização de forma confiável, ágil e estratégica. Para os consumidores, os benefícios incluem conveniência, autonomia e acesso a novos meios de pagamento modernos, sem comprometer a segurança.
Acreditamos que essa transição depende de investimentos em infraestrutura tecnológica, educação financeira e regulamentação adequada. Assim, instituições financeiras e consumidores podem avançar juntos, garantindo que novas formas de pagamento se integrem de maneira segura e eficiente, promovendo inovação e inclusão de forma equilibrada e sustentável.
É importante destacar que, embora a digitalização seja fundamental para os avanços do setor financeiro, o uso do dinheiro em espécie deve ser respeitado, mantendo o equilíbrio entre os mundos digital e físico, ainda essencial no Brasil, por exemplo, onde cerca de 70% da população continua usando dinheiro em espécie. Na Diebold Nixdorf, promovemos a inclusão financeira, valorizando e respeitando cada realidade, garantindo que a inovação caminhe junto com o acesso seguro e confiável ao dinheiro.
Crypto ID: Mesmo com a digitalização acelerada, os bancos seguem investindo na modernização de suas estruturas físicas. Como a Diebold Nixdorf interpreta essa convivência entre canais digitais e presença física?
Elias Rogério da Silva: A Diebold Nixdorf enxerga a digitalização e a presença física como elementos complementares, que se reforçam mutuamente. Enquanto os canais digitais proporcionam autonomia, rapidez e conveniência, a presença física, além de permitir esses atributos, ainda continua sendo essencial para a inclusão financeira e para atender populações que dependem fortemente do dinheiro em espécie. É por essa visão que nossos caixas eletrônicos e demais soluções são projetados para unir eficiência tecnológica com a força do mundo físico.
Essa integração entre digital e físico permite que cada cliente escolha a forma mais adequada de realizar suas transações, mantendo a segurança e a confiabilidade, sem perder a proximidade e o suporte. Essa convivência equilibrada é fundamental para que nossos clientes ofereçam serviços modernos, confiáveis e acessíveis a todos, promovendo inovação sem abrir mão das necessidades de nenhum tipo de consumidor.
Crypto ID: A partir dessa evolução que você mencionou, vemos bancos brasileiros como Bradesco, Itaú, Santander e Banco do Brasil reforçando o papel das agências como espaços de relacionamento e atendimento consultivo. Como você avalia esse movimento e qual é o papel da tecnologia nesse novo modelo?
Elias Rogério da Silva: Reforçar o papel das agências como espaços de relacionamento é um movimento estratégico que coloca o cliente no centro e valoriza a experiência humana. Nesse modelo, a tecnologia atua como facilitadora, automatizando operações rotineiras, garantindo segurança e velocidade, e liberando os colaboradores para oferecer atendimento consultivo, orientação financeira e soluções personalizadas. Assim, a agência deixa de ser apenas um ponto de transação e se torna um espaço de experiência, aprendizado e relacionamento, onde clientes podem interagir, receber aconselhamento e usufruir de serviços de alta qualidade, fazendo parte de uma operação moderna e humanizada.
Crypto ID: No varejo, o self-checkout já se consolidou como uma tendência global, impulsionando eficiência operacional e melhorando a experiência do consumidor. Como a Diebold Nixdorf enxerga a evolução dessa tecnologia no Brasil e o que esse avanço representa estrategicamente para a companhia em termos de crescimento e inovação?
Elias Rogério da Silva: No Brasil, o self-checkout já virou um elemento importante na estratégia de transformação do varejo e vemos um crescimento potencial importante no país, especialmente agora que esses terminais estão evoluindo cada vez mais para serem uma plataforma inteligente que ajuda na gestão da loja.
Enxergamos essa evolução como sendo fruto da integração entre hardware, software, dados e Inteligência Artificial. Essa combinação permite que o self-checkout vá além da simples automação do pagamento, passando a atuar diretamente na redução de perdas, na melhoria da acuracidade das operações e na fluidez da jornada do consumidor.
Por exemplo, por meio da Inteligência Artificial, é possível identificar comportamentos fora do padrão e tentativas de fraude no checkout, analisar automaticamente a faixa etária do cliente para garantir conformidade nas vendas de produtos com restrição, como bebidas alcoólicas, e reconhecer produtos sem códigos de barras, como frutas e verduras.
Do ponto de vista do varejista, o impacto é direto: maior produtividade, melhor alocação de equipe e mais capacidade de escalar a operação sem comprometer a experiência. Para o consumidor, significa autonomia, agilidade e uma jornada mais natural dentro da loja.
Esse avanço é extremamente relevante para a Diebold Nixdorf porque posiciona o self-checkout como um ponto de convergência entre o físico e o digital. O mercado já enxerga que o self-checkout não é apenas um equipamento, mas uma plataforma que gera dados, conecta sistemas e permite novas experiências, e isso gera mais oportunidades de negócios e de inovação para a Diebold Nixdorf.
Encerramento
Os resultados da Diebold Nixdorf mostram uma empresa alinhada às principais transformações do mercado. O crescimento sustentado, aliado ao avanço de soluções de automação, Inteligência Artificial e integração de canais, reforça o papel da companhia como parceira estratégica de instituições financeiras e varejistas.
Agradecemos a Elias Rogério pela entrevista e pelas reflexões sobre o futuro do setor financeiro e do varejo.
Elias Rogério, presidente da Diebold Nixdorf no Brasil anuncia crescimento no País
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