O uso de da IA no sistema financeiro deixou de ser tendência para se consolidar como ferramenta estratégica nas instituições

O uso de inteligência artificial (IA) no sistema financeiro deixou de ser tendência para se consolidar como ferramenta estratégica nas instituições.
Em conversa com o Crypto ID, Luciano Sobral, South America Managing Partner da Capco, explicou como a tecnologia vem sendo aplicada para aumentar eficiência, segurança e conformidade regulatória no setor.
Segundo Sobral, a discussão atual já não gira mais em torno da adoção da IA, mas sim sobre como implementá-la com responsabilidade e alinhamento às exigências de governança e compliance. “A inteligência artificial deixou de ser promessa e passou a fazer parte da operação do sistema financeiro”, afirma.
De acordo com o executivo, estudos da Capco mostram que o uso de IA, incluindo modelos preditivos, machine learning e IA generativa, já traz ganhos concretos. Ele destaca que, em atividades como revisão regulatória e monitoramento de aderência, é possível reduzir em até 80% o esforço manual, além de acelerar análises e respostas.
Sobral observa que o ambiente regulatório brasileiro tem favorecido essa evolução. Segundo ele, o Banco Central e a CVM adotam uma postura aberta à inovação, desde que acompanhada de controles robustos. Em sua visão, a IA se tornou um importante apoio à tomada de decisão, permitindo analisar grandes volumes de dados, identificar padrões e reduzir erros operacionais.
Os impactos já são visíveis em áreas como prevenção a fraudes, monitoramento de transações e compliance. Nessas frentes, ele afirma que a tecnologia deixou de ser diferencial e passou a ser essencial para operar com escala e eficiência.
No sistema de pagamentos instantâneos, Sobral destaca o papel da IA na segurança do Pix. “Os modelos conseguem analisar um grande volume de transações em pouco tempo e identificar comportamentos suspeitos”, explica. Ele ressalta que, diferentemente de regras fixas, essas soluções se adaptam a novos tipos de fraude e permitem respostas quase imediatas.
Segundo o executivo, as soluções atuais combinam técnicas como machine learning supervisionado e não supervisionado, detecção de anomalias e análise comportamental. Esse conjunto, afirma, permite identificar fraudes mais sofisticadas e garantir rastreabilidade, um requisito cada vez mais exigido pelas normas.
A IA também tem avançado em atividades internas das instituições. Sobral aponta aplicações em análise documental, reconciliação de pagamentos e suporte à decisão. Ele cita ainda dados da Febraban que indicam investimentos anuais superiores a R$ 40 bilhões em tecnologia no setor bancário brasileiro, com foco crescente em inteligência artificial e automação.
No contexto do Open Finance, Sobral acredita que a tecnologia é fundamental para organizar e interpretar grandes volumes de dados, possibilitando ofertas mais personalizadas e melhorias na concessão de crédito. Ele avalia que isso também abre espaço para novas funcionalidades, como portabilidade de crédito e salário.
Já na área de crédito, o executivo afirma que a IA permite uma análise mais completa do perfil financeiro dos clientes. Segundo ele, ao considerar histórico de pagamento, comportamento e fluxo de caixa, as instituições conseguem reduzir riscos e ampliar o acesso ao crédito, especialmente para pequenas e médias empresas.
Apesar dos avanços, Sobral faz um alerta sobre os riscos envolvidos. Ele destaca que o uso da IA exige atenção a possíveis vieses, falhas de interpretação e exposição de dados. “Os modelos devem ser monitorados, testados e acompanhados por pessoas”, diz.
Para o executivo, o sucesso na adoção da tecnologia depende de uma estratégia bem estruturada. Em sua avaliação, instituições que integram a IA ao negócio com critérios claros de segurança, transparência e responsabilidade tendem a avançar de forma mais consistente.
Por fim, Sobral conclui que o Brasil reúne condições favoráveis para essa evolução, combinando um sistema financeiro digital avançado com um ambiente regulatório sólido. O principal desafio, segundo ele, é equilibrar inovação com disciplina regulatória e boa governança, fatores essenciais para sustentar a credibilidade do setor no longo prazo.
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